quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Encontros

A história deles terminou mal, mas terminou mal porque não chegou mesmo a terminar.
Acho que ainda hoje poderia afirmar que eles namoram porque, oficialmente, ele nunca terminou a história com ela, mas também não foi ele que a começou. Foi ela que iniciou a história, começou no “Era uma vez” e nunca mais parou, tal e qual um Conto de Fadas. Gostava demasiado dele e esse foi o maior problema, porque sempre foi ela que fez o barco mover e, só ela, é que não se apercebia disso.
Ela começou, procurou, lutou, encontrou, conseguiu, não conseguiu, chorou, riu, viveu. Ela mudou porque ele queria que ela fosse assim, moldada à maneira dele, para melhor parecer, para estar mais apresentável aos amigos dele, mesmo que assim não fosse ela, mesmo que assim ela acordasse todos os dias e achasse que aquela não era ela, mesmo que ela não pudesse dizer que assim era feliz. Mas assim era melhor, porque era assim que ele queria que ela fosse.
Mesmo assim era melhor porque, pelo menos estava com ele, pelo menos podia senti-lo, podia adormecer na mesma almofada que ele e podiam entrelaçar os pés.
E assim ela sofreu, mas não se arrependeu de nada pelo que passou com ele porque aprendeu. Aprendeu que confiar demais faz mal e gostar demais faz ainda pior.
Na noite estava tudo bem e na manhã ele acordou a achar que, afinal, ela não era mulher (ou miúda) para ele. Afinal havia quem lhe preenchesse os olhos mais do que ela. E culpou-a a ela por essa sua decisão. Não optou por iniciar a frase com um “Precisamos de falar”, não optou por dizer “O problema não és tu, sou eu”. Não, ele nunca assumiu nada e como o cobarde que sempre foi também não iria assumir que ele é que não gostava dela e pronto. Não, ele disse que a culpa era dela. Ela era isto, ela era aquilo, ela é que tinha feito e acontecido e ele, pobre infeliz, sempre a vítima.
E assim, sem ter terminado porque nunca o disse, a história deles chegou ao fim.

Hoje, anos depois, ela vi-o… como não o tinha visto ainda desde que tudo aconteceu e porque esta história ficou mal resolvida, ela sentiu um frio na barriga, sentiu que perdia a força nas pernas, sentiu que devia olhar para trás e chamar-lhe nomes, sentiu que devia voltar para trás e falar-lhe, sentiu que devia voltar atrás e dar-lhe uma bela bofetada, sentiu que lhe apetecia cheirá-lo, sentiu que lhe caia nos braços, mas não disse nada, não viu nada e nada fez.
E ele também nada fez, mas isso já era o esperado, é um cobarde e sempre o foi. Anos depois, não está diferente.

4 comentários:

Micas disse...

Conheço pessoas assim! =S
Mundo infeliz...

Beijinho****

IandU disse...

Infelizmente existe muitas histórias dessas. E eu conheço uma bem de trás para a frente.

Infelizmente é assim, até que alguém queira fechar o livro e dar por terminada a história.

Nunca devemos mudar (muito) por ninguém! Não iremos ser felizes assim*

Anónimo disse...

olá
estava a dar voltas na net e esbarrei no teu blog vi este post e fiquei a lê-lo sempre com um sorriso, em parte estou a viver um dilema parecido neste momento. Acho que as pessoas se devem moldar não porque o outro quer mas sim porque a relação o exige, quem gosta faz por isso... aprendi isso da pior maneira
(Seria tudo tão mais facil se não acreditasse no amor!!)

_+*Ælitis*+_ disse...

Se ela ainda sente esse frio na barriga quer dizer que as coisas não pertencem, ainda, somente ao passado :(

Beijo meu ♥,

A Elite