Esta semana correu mal, de uma forma geral, a todo o planeta, ou será que, de uma forma particular, foi só a mim? E o universo virou-se contra mim?
Pergunto-me isto enquanto corro para apanhar o metro e já estou a ficar atrasada. Saí atrasada do serviço, mas isso também é coisa a que já me fui habituando. Há sempre qualquer coisa mais para fazer, num sítio e com um trabalho cujo valor nem sempre é reconhecido.
Sem carro lá me ando eu a arrastar, juntamente com a mala, por entre as pessoas. Transportes públicos em Lisboa. O ambiente agradece.
Já estou atrasada e espero bem que o metro chegue depressa porque quero mesmo hoje ir para casa.
Lá vem ele, carregado de pessoas que se atropelam umas às outras e a mim e à minha mala, mas parece que sempre vou conseguir apanhar o Expresso.
Só me apetece sair daqui esta semana. Correu demasiado mal para eu sequer supor ficar cá mais um minuto que seja, numa tentativa de que isto mude.
Marquês, escadas, mais pessoas, mais escadas, mais cheiros, mais cores, mais ruídos, mais risos, mais conversas, mais desgraças, mais alegrias.
E problemas na linha azul... rodopio e perco o Expresso.
Lisboa não me acolheu bem esta semana, nem eu a ela.
E mais uma volta, fazer o percurso inverso... mais pessoas apressadas, vagarosas, faladoras, apáticas, trombudas, mal-educadas, sorridentes, faladores, expirando dinheiro, demonstrando que não têm onde cair mortas, a tresandar a perfume caro, a cheirar a uma água de colónia barata, a demonstrar que já há muito precisam de um banho... já há muito precisam de uma vida, já há muito precisam de tempo, já há muito têm pouco, já que muito têm demais.
E é assim Lisboa... ricos, pobres, classe alta, classe média-alta, pessoas carenciadas, cheirosos, mal-cheirosos, todos por ali, envoltos nos seus pensamentos enquanto atropelam mais um apenas para conseguirem pôr o pé dentro do metro antes do outro... porque para apanhar o metro, como em tudo na vida, há que ser sempre o primeiro.
E aqui estou eu, que observo tudo isto, que perdi o Expresso, que me queixo de tudo e todos, provavelmente pelas razões erradas, que deveria dar valor ao que tenho sem me lamentar, que me volto a queixar e pronto, que esta semana até escabiose (vulgo sarna) quase apanhei e que até dos anos do meus pai me esqueci.
Amanhã é fim-de-semana e para mim estes cinco dias não existiram.
ENCERRADO | CLOSED
Há 9 anos


1 comentário:
Não é assim o mundo todo? Lisboa é só uam pequena amostra. Ha semanas, dias assim. Passa, tudo passa...
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