quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Querido Pai Natal,

Sou perita em exagerar tudo o que me aparece pela frente... se é um problema pequenino eu entro e faço com que pareça um grande drama, se é uma revolta pequenina ou transformo-a na 3ª Guerra Mundial, se nem sequer é coisa a que se dê uma grande importância eu dou uma importância desmedida... e eu sou assim... mas mesmo assim sou burra.
Sou burra que nem uma porta e só me apercebo disso quando, afinal, já me passaram a perna há imenso tempo e eu ainda agora é que reparei.
E isto acontece com tudo... na vida profissional, na convivência cá em casa... e eu sei disso e faço uma drama, grito e berro, mas acabo por não fazer nada...
Pedem para fazer trocas de turnos porque sabem que nesses turnos se trabalha muito mais... eu sei que vou sair prejudicada, vou trabalhar mais e ganhar menos mas não consigo dizer que não.
Pedem-me turnos, que eu faço, mesmo sabendo que as pessoas não fazem intenções de depois vir-me a pagar essa dívida.
Não adiantam certas coisas no trabalho porque sabem que eu vou ajudar quando despachar o meu trabalho, e as pessoas aproveitam-se disso, embora eu ás vezes não o queira ver.
Não têm a iniciativa de começar a fazer determinada coisa, porque sabem que eu a seguir vou fazê-lo, por isso não estão para se chatear. Alguém há-de fazer.
Não arrumam a casa, não lavam o chão, deixam a loiça por lavar, não despejam o lixo, e isso revolta-me.

Não gosto de todas essas coisas... grito, berro, exagero, desabafo com este e com aquela, digo que isto não vai continuar assim, digo que não me podem continuar a fazer-me de parva e eu a ver, digo que não sou escrava de ninguém, nem tenho de andar a fazer o trabalho que aos outros não lhe apetece... e volto a berrar e a bufar e apetece-me desaparecer ou saltar em cima dessas pessoas e dizer-lhe poucas e boas, sendo curta e grossa.
Digo tudo isto... e depois não faço nada... porque não sou capaz e porque dou às pessoas o benefício da dúvida, acreditando que no fundo, no fundo, as pessoas até são boas e não fazem porque não podem mesmo... e depois pedem-me para trocar uma noite, em que se trabalha menos e se ganha mais, por uma manhã em que se trabalha até não poder mais e se ganha menos, e eu sei que é uma troca injusta mas faço-a... e não fazem aquela técnica porque sabem que eu depois tenho pena da pessoa e acabo por fazer... e não despejam o lixo porque sabem que eu vou acabar por despejá-lo a partir do momento em que me começa a fazer impressão aqueles sacos ali... e não lavam a loiça porque sabem que eu vou acabar por me passar de vê-la ali e vou lavá-la.... e eu sei disso, mas não digo nada... sou parva e burra o suficiente para isso, para ficar calada, para me enganarem e eu não fazer nada contra isso...
E não, não sou perfeita e não, não sou a boa samaritana cá do sítio e não, também não sou a vítima e não, também não tenho um coração grande... o meu coração é, aliás, bem pequenino, e só entra aqui quem eu quero, os outros ficam no cérebro e na memória, somando ou subtraindo pontos positivos até poderem passar para o coração...
Apenas gosto de vir para casa de consciência tranquila e gosto de estar numa casa, no mínimo, habitável...

Mas à pala disso, sim, portei-me muito bem este ano, Pai Natal, por isso vê se me compensas nas prendinhas. Combinados?
Obrigada. Afinal, sempre te vou deixar lá um leitinho quente e uma broinhas de mel da minha mãe... mas não abuses muito... não me apetece cuidar de ti quando estiveres internado por Diabetes descompensada... a tua barriga é muito grande e deves se difícil de mobilizar... além de que não temos pijamas vermelhos e não sei como te poderei dar a medicação e as refeições com esse barbaçal branco todo...

Compreendido?
Fico-te muito agradecida.

1 comentário:

Anónimo disse...

Se te serve de consolo eu sou exactamente igual sempre pronto a ajudar mesmo que ache que está mal e por mais que me digam para não o fazer é da minha natureza e as pessoas apercebesse disso e abusam sei exactamente como te sentes, como se diz aqui na minha terra “quanto mais nos baixamos mais se vê o olho do c*” é forte mas tem o seu Q de verdade.
Beijos