quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Essa coisa chamada consciência, ou melhor, pais

Quando andava na escola e tinha os meus 17 anos, um dos meus sonhos, partilhado também por todos os meus amigos, era ser mais velha, sair de casa para estudar e tirar o curso que gostaria. Dar os primeiros passos rumo à independência, poder sair às horas que quisesse e ir onde me apetecesse sem dar satisfações a ninguém.
Quando estava a tirar o curso e tinha os meus 20 anos, o passo mais ansiado por dar a seguir era o da independência financeira, ter o dinheiro para comprar, usar e abusar, esturrá-lo no que me apetecesse sem dar cavaco a ninguém, nem ouvir frases de reprovação de ninguém, quanto àquilo que fazia.
Hoje, aos 23 anos, a curtos passos dos 24 anos, pus-me bem a pensar naquilo que desejava antes e é tudo um valente engano. Afinal, a idade e o dinheiro que cai na conta no final do mês não dão assim uma independência tão grande quanto pensava e a vida dos maiores de 22 anos não é assim tão engraçada quando parecia ser...
Isto porque a independência financeira não significa necessariamente a independência dos pais. Não está nada relacionado com o facto de ainda pedir dinheiro aos meus pais ou dar-lhes satisfações sobre onde vou ou o que compro, porque isso, afinal, nem seria possível quando vivemos a mais de 200km de distância. Mas os pais, pelo menos os meus, não deixam de estar na minha cabeça cada vez que faço determinadas coisas. Exemplos: quando compro um casaco de pele que, se pensasse bem, nem precisava e que me custou os olhos da cara, e sei que se a minha mãe ali estivesse diria "Com os quilos de roupa que tens em casa, não podia deixar esse aí na loja?". Os meus pais não deixam de estar na minha cabeça cada vez que ponho um cigarro na boca e sei que, se os meus pais vissem, seria uma grande grande desilusão para eles ver a filha a fumar.
Ou seja, embora já seja independente deles continuo, obviamente, a pensar neles e naquilo que eles acham de mim. E por isso, embora já tenha a minha independência financeira e espacial, eles continuam na minha cabeça como se eu ainda morasse com eles. E, assim, não sou tão independente como gostaria.

Acho que a minha consciência tem a forma dos meus pais, em vez do típico anjinho e diabinho. Desta forma, eu tenho sempre que lhe dar ouvidos, por muito que me custe...
Mesmo tendo o meu próprio ordenado e mesmo morando bastante distante deles, a realidade é que eu ainda não cortei o cordão umbilical.
E quererei cortá-lo?

4 comentários:

@martasta disse...

:) Não... porque isso seria dar menos importância a pessoas que gostas e estão ctg independentemente de gastares dinheiro em casacos ou se fumas...
pais , são pais!

bjcaaaaaaa

Anónimo disse...

Como eu te compreendo tenho 26 e também queria era trabalhar ganhar o meu e esturra-lo no que quisesse sem dar cavaco a ninguém o próximo passo é sair de casa dos papas, mas se ainda não o fiz foi por razões de dinheiro claro mas talvez por saber o que vou penar e preferir o comodismo mas sei que embora queira essa independência depois mais tarde irei sentir falta.
mas se há pessoas com que nesta vida posso contar é com os meus pais por motivos diversos e mesmo nalguns bem complicados para eles tiveram sempre ao meu lado e nunca me “deixaram cair” e se sou uma pessoa correcta e esclarecida é sem duvida a eles que o devo.


Beijinhos

lu disse...

Também me aconteceu isso tudo, mas agora que sou independente às vezes também apetece-me ir dormir a casa dos pais, ao meu antigo quarto. E a comidinha da minha mamã. . .

Maria disse...

Tal como tu dizes.. também eu já passei por essas fases.. Agora, na faculdade não vejo a hora de ter essa independencia..:P

bjnho.